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Música e Poesia

. À primeira vista, parece improvável musicar poemas como os de Hilda Hilst. Lendo-os, é difícil imaginá-los cantados. Além disso, a melodia sempre dá um outro sentido às palavras, uma entonação diferente pode dizer outra coisa... Mas Zeca Baleiro teve o acompanhamento e aprovação de Hilda Hilst para lançar o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé – De Ariana para Dionísio. Na verdade, a sugestão foi dela, após iniciativa do Zeca de mandar a Hilda seu primeiro álbum, Por Onde Andará Stephen Fry?.     Só agora fui conferir mais esse belo trabalho do maranhense ao ser presenteada com o CD. Vlad, obrigada! =) E o próprio Zeca conta, no vídeo abaixo, como conheceu Hilda Hilst. A entrevista foi dada após um pocket show dele na Livraria Cultura Bourbon Shopping, SP, precedido por um debate durante o lançamento do livro Por que ler Hilda Hilst, do crítico Alcir Pécora. O vídeo, da Livraria Cultura, termina com Zeca interpretando a Canção V. Deleitante.....

Anos dourados, rebeldes e criativos

. Saudosista que sou e amante da boa música brasileira, não podia deixar de conferir no cinema o documentário “Uma noite em 67”, sobre a final do 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Já vimos repetidas vezes cenas das músicas finalistas, maravilhosas, a exemplo de Domingo no Parque que me emociona até hoje, mas temos agora imagens dos bastidores do festival e declarações recentes dos principais nomes envolvidos no evento. E nada como viver o clima da época, sensação proporcionada pela telona. Me senti no auditório do Teatro Paramount. Tanto que, no final da execução da primeira música, me vi impelida a aplaudir junto à plateia. Não fiz isso, obviamente, mas o cinema tem esse poder, de nos “inserir na ação”. Vivemos nos perguntando por que não temos mais festivais como aqueles da Record. Uma série de fatores, porém, explica parte do sucesso desses programas musicais, com destaque para a segunda metade da década de 1960. Entre eles, o momento político, cultura...

O Universo compõe

Você já deve ter ouvido histórias do tipo. Quando alguém tem uma grande ideia, na verdade ela é captada do universo naquele momento. As grandes invenções teriam surgido assim, aparentemente do “nada”. O mérito, portanto, não é de quem teve a ideia. E na música parece também acontecer o mesmo. Grandes artistas já deram declarações a respeito ao explicar o processo de algumas composições. Em bate-papos com o Moska, no programa Zoombido, essa teoria parece se confirmar com alguns músicos. Acompanhe. Lenine: “Tem música que é meio de rompante, assim... Que é... buum! Parece que ela tava ali, esperando só a conexão. E ela chega de imediato. E sai a canção quase toda. Como se já estivesse pronta. Você só capturou. E se você não captura, o cara da esquina captura. Não sei dizer como é que é. É um outro tipo de composição.” Zeca Baleiro: “É uma coisa mesmo misteriosa. Por que eu faço essa música? Eu não sei porque. Eu posso até detectar alguma informação mais racional nisso, ...

1º de Dezembro

Dia Mundial de Luta contra a AIDS Artistas, em geral, são imortais. Suas obras permanecem para sempre, tão fortes e vivas como quando foram criadas. E a morte do autor, por vezes, valoriza ainda mais sua obra. A música tem essa característica, de sobreviver ao seu criador. A AIDS vitimou grandes nomes da música, que sucumbiram precocemente, no auge do sucesso. Vítimas da AIDS na Música Cazuza morreu em 1990, no dia 7 de julho, aos 32 anos. Descobriu que era portador do vírus em 1987, quando foi aos EUA para iniciar um tratamento com AZT, que não surtiu efeito. Foi corajoso ao expor seus momentos finais. Assumiu publicamente estar com AIDS numa entrevista para a revista Veja. “... o cantor... faz questão de morrer em público...”, dizia a matéria, classificada por muitos como sensacionalista. Freddie Mercury só declarou publicamente que havia contraído o vírus da AIDS horas antes de sua morte, em 24 de novembro de 1991. Disse ter mantido a informação em sigilo p...

Histórias e curiosidades

. Muitas histórias são contadas sobre inspirações para músicas, algumas verdadeiras, outras lendas... Fiquei conhecendo uma delas só agora, através do caderno Ilustrada da Folha de SP, que falava sobre o lançamento do álbum “All in One”, de Bebel Gilberto. E aproveito para lembrar o Profeta Gentileza, o avô de Zé Ramalho, a "Maria" de Djavan... “Acabou chorare” Nunca me perguntei de onde vinha esse nome. Marcus Preto escreveu: “... foi composta por Moraes Moreira e Luís Galvão a partir de uma frase de Bebel Gilberto. Ainda bem pequena, ela a disse quando seus pais, João Gilberto e Miúcha, a acudiam de um tombo. A menina costumava misturar português e espanhol, graças a uma temporada vivida no México. Quando viu os mais velhos em volta, aflitos para saber se ela tinha se machucado, Isabelzinha limpou as lágrimas: "Acabou chorare, papai". O episódio foi relatado aos amigos baianos e nascia ali um clássico da MPB.” “Gentileza” A história desta é mais...

O sol é para todos?

. Há muita gente na batalha por um lugar ao sol na música. Gente muito boa, outras nem tanto... O fato é que não basta apenas talento para se dar bem. Vamos tomar como exemplo Maria Gadu , uma das revelações atuais na música brasileira. Ela já tinha uma história musical, mas foi com um convite para a minissérie Maysa que ganhou visibilidade. A partir daí, medalhões derramaram elogios à menina de 22 anos, que agora desponta no mercado. Ok, ela foi apresentada para Jayme Monjardim porque era amiga da esposa e do cunhado do diretor de Maysa , mas não há como negar que a garota merece todos os elogios que vem recebendo. Pois é, há músicos que passam a vida tentando se firmar e num certo momento, por um golpe de sorte, acontecem. Outros estão nos lugares certos e conhecem as pessoas certas. Existem ainda aqueles que nunca tornaram-se conhecidos do grande público, mas sobrevivem da música. São vários vivendo dessa maneira. O principal é que nunca deixam de ac...

Concerto

Fui ao “Concerto” de Zeca Baleiro no Teatro FECAP, um projeto interessante, novo, que presenteou os fãs do maranhense. Na verdade não é qualquer um que pode se dar ao luxo de fazer um “experimento” deste com casa cheia todos os dias e temporada estendida. Abaixo, a proposta do show redigida pelo próprio Zeca (click nela para ampliar). E foi isso. Minutos prazerosos para público e artista com momentos de descontração, como a brincadeira que premiou uma pessoa da plateia com uma taça de vinho servida pelo próprio cantor e com direito a brinde. A cada dia torno-me mais fã, por sua música, por suas sacadas de humor (humor ácido, alguns podem dizer), por suas posturas e por seu grande talento. É um cara admirável em todos os sentidos (pelo menos até onde é possível conhecê-lo...). Felizmente, apesar da safra baixa de artistas de qualidade na música atualmente, temos um nome como o dele se consolidando com mérito.   Aproveito pra dei...