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"Superhomem - a canção", por Gilberto Gil

Nada da minha participação aqui, apenas o registro precioso da história desta belíssima música.  "Eu estava de passagem pelo Rio, indo para os Estados Unidos fazer a excursão do lançamento do Nightingale - um disco gravado lá, com produção do Sérgio Mendes -, em março e abril de 79, e gravar o disco Realce, ao final da excursão. Na ocasião eu estava morando na Bahia e não tinha casa no Rio, por isso estava hospedado na casa do Caetano. Como eu tinha que viajar logo cedo, na véspera da viagem eu me recolhi num quarto por volta de uma hora da manhã. De repente eu ouvi uma zuada: era Caetano chegando da rua, falando muito, entusiasmado. Tinha assistido o filme Superhomem. Falava na sala com as pessoas, entre elas a Dedé [Dedé Veloso, mulher de Caetano à época]; eu fiquei curioso e me juntei ao grupo. Caetano estava empolgado com aquele momento lindo do filme, em que a namorada do Superhomem morre no acidente de trem e ele volta o movimento de rotação da Terra para p...

Elis, 70 anos

Não é a voz que canta, é o coração. Essa frase, dita por Elis e citada no show “Elis, 70 anos”, traduz perfeitamente a intérprete Elis Regina. A “Pimentinha” (apelido dado por Vinicius de Moraes por conta de seu gênio forte) cantava não só com o coração, mas também com a alma. Por isso é considerada uma das melhores cantoras brasileiras de todos os tempos. E as histórias contadas pelos amigos-compositores de Elis mostram o quanto ela era séria com seu trabalho ao exigir sempre qualidade de seus compositores. E fazia com que eles se tornassem ainda melhores. Elis só aceitava gravar o que lhe tocava de verdade. E assumia a composição como dela. E convencia. As músicas cantadas por Elis pareciam lhe pertencer. Essa impressão (ou posso dizer essa verdade?) causada pela emoção transmitida na interpretação das canções, não deixava dúvida de que era mesmo o coração que cantava e não a voz. O show “Elis, 70 anos” reuniu amigos de trajetória da cantora, grandes nomes da música nacion...

Assim caminha a humanidade

"Ainda vai levar um tempo pra fechar o que feriu por dentro, natural que seja assim..." Esta música do Lulu Santos é daquelas pra espantar os fantasmas. Daquelas que você canta chorando e rindo ao mesmo tempo depois de um rompimento "daqueles". Me apaixonei tantas vezes nesta vida... E desencanei tantas outras... Mas há aquelas relações mais complicadas, com finais que precisam ser exorcizados. Pra estas, é a música perfeita! "Não vou dizer que foi ruim. Também não foi tão bom assim. Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais... Não mais... Nuuuunca maaaais!"

Talentos escondidos

Não sei dizer exatamente em qual ano conheci o Marco. Entre vários que mandam CD´s pra rádio, certo dia estava lá com o meu nome, no estúdio, uma sacolinha linda, colorida, com o CD do Marco Aguyar. Voltei naquele dia, ouvindo no carro o “Bela Cintra”, no meu trajeto da rádio pra casa. E me encantei com algumas músicas. Não lembro os detalhes, mas acho que entrei em contato com o Marco pra contar a minha impressão sobre seu trabalho. Entreguei o disco para meu chefe, que deu ao diretor artístico, mas nada aconteceu. O tempo passou, o Marco continuou na luta, com um show aqui, outro lá, as dificuldades que cercam qualquer músico no Brasil... e seguiu-se um projeto cantando Erasmo e Roberto, intitulado “Roberto e Erasmo Rock Carlos”. Apresentações no Sesc e outros eventos, mas... não é que nomes mais conhecidos tiveram a mesma ideia!?! E então o Marco lançou seu segundo CD, “Poesia em Movimento”, de ótima qualidade! Mas o que cerca esse mundo da música é algo que nós, meros m...

Lembranças

Há músicas que fazem parte da nossa história. Uma para cada fase da vida, principalmente aquela fase de sonhos... Esta é uma delas. Foi no início de 1983. Estava no colegial e saímos para o intervalo. Quando voltei, encontrei um bilhetinho embaixo da carteira. Nele, a frase: “Viver é todo sacrifício feito em seu nome”. Apenas isso. Olhei para os lados em busca de alguma pista. E nada. Dias depois, quando eu já havia esquecido o ocorrido, um novo bilhete, vermelho, onde estava escrito: “Seu olhar é fantasia em meu coração. Os raios vão e voltam. Você... você é linda.” Não tinha ideia de quem poderia ser. Éramos uma turma grande na classe, unida. Saíamos juntos com frequência nos finais de semana, inclusive com garotos e garotas de outras salas. Tinha algumas desconfianças, mas era impossível saber a autoria sem ao menos uma dica. Até porque nesta fase da vida nos apaixonamos e despertamos paixões facilmente. O fato é que meu admirador secreto nunca mostrou a cara...